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Considerações sobre a «Reforma da Liturgia Romana»

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Arnaldo Xavier da Silveira


Completando-se cinquenta anos da constituição apostólica Missale Romanum, que introduziu o Novus Ordo Missae, um número crescente de católicos julgou ter chegado o momento de fazer um balanço isento, desapaixonado e rigoroso das suas consequências.

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Sinopse

Completando-se cinquenta anos da constituição apostólica Missale Romanum, que introduziu o Novus Ordo Missae, um número crescente de católicos julgou ter chegado o momento de fazer um balanço isento, desapaixonado e rigoroso das suas consequências.

Foi também há 50 anos que os cardeais Ottaviani e Bacci apresentaram a Paulo VI uma lúcida advertência, validada por doze eminentes teólogos, na qual estes denunciavam na reforma da liturgia «um impressionante afastamento da teologia católica da Santa Missa».

Na verdade, os reformadores quiseram uma liturgia completamente nova, diferente da antiga, tanto no espírito como nas formas exteriores, e que correspondesse às tendências da teologia nova.

Mais recentemente, o Papa Bento XVI, que viveu com grande dor toda a crise litúrgica, chegou a afirmar: «Estou convencido de que a crise eclesial em que hoje nos encontramos depende em grande parte da decadência da liturgia». Antes disso, já tinha dito que, em vez de redescobrir o centro vivo da liturgia, a reforma «na sua realização concreta afastou-se cada vez mais dessa origem. O resultado não foi uma reanimação mas uma devastação (...) uma liturgia degenerada em show».

A verdade é que o êxito pastoral que se esperava não se concretizou. As igrejas esvaziaram-se, o povo descristianizou-se, a juventude afastou-se da Fé. Tudo isto levou o grande liturgista alemão Klaus Gamber, da Academia Pontifícia de Liturgia, a afirmar: «Consumou--se a ruptura com a tradição (...) Pode-se dizer que as esperanças que se depositaram na reforma litúrgica não se realizaram em absoluto». E acrescentou: «É necessário que o rito mais do que milenar da missa seja conservado na Igreja Católica romana como forma primária de celebração (...) É necessário que volte a ser a norma de fé e sinal da unidade dos católicos em todo o mundo, um pólo inabalável em tempos de tanta desorientação».

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